sábado, 7 de fevereiro de 2009

Fire

Como já tem sido hábito, partilho novamente um dos meus vícios: a música. Esta é de Jimi Hendrix e chama-se Fire.



Letra:

Alright,
now listen, baby

You don't care for me
I don'-a care about that
Gotta new fool, ha!
I like it like that

I have only one burning desire
Let me stand next to your fire
Let me stand next to your fire [Repeat 4 times]

Listen here, baby
and stop acting so crazy
You say your mum ain't home,
it ain't my concern,
Just play with me and you won't get burned

I have only one itching desire
Let me stand next to your fire
Let me stand next to your fire [Repeat 4 times]

Oh! Move over, Rover
and let Jimi take over
Yeah, you know what I'm talking 'bout
Yeah, get on with it, baby
That's what I'm talking 'bout
Now dig this!
Ha!
Now listen, baby

You try to gimme your money
you better save it, babe
Save it for your rainy day

I have only one burning desire
Let me stand next to your fire
Let me stand next to your fire

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Referências

Deixo aqui um excerto sobre a morte do general escrito por Raul Brandão:

«O corpo (...) mal queimado foi atirado ao mar, que pouco depois o lançou de si primeira e segunda vez, foi roído pelos cães thé que por fim enterrarão na praia um resto» - in «Vida e Morte de Gomes Freire»

Raul Brandão, 1817 - A conspiração de Gomes Freire, Porto, Renascença Portuguesa, 1917

Raul Brandão

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Auto da Barca do Inferno

Venho relembrar uma obra que adorei estudar, embora tenha sido há algum tempo: O Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente. Seleccionei os excertos que se relacionavam mais com o elemento que escolhi: o fogo.

“(…)

Sapateiro: Assi que determinais
que vá cozer ò Inferno?

Anjo: Escrito estás no caderno
das ementas infernais.

Torna-se à barca dos danados, e diz:

Sapateiro: Hou barqueiros! Que aguardais?

Vamos, venha a prancha logo
e levai-me àquele fogo!
Não nos detenhamos mais!

(…)

Diabo: Entrai, padre reverendo!

Frade: Para onde levais gente?

Diabo: Pera aquele fogo ardente
que nom temestes vivendo.

Frade: Juro a Deos que nom t’entendo!
E est’hábito no me val?

Diabo: Gentil padre mundanal,
A Berzabu vos encomendo!


(…)”

"Same old fire, another flame, and the wheel rolls on."

Finalmente decidi explicar o porquê do título do blog não estar em Português. Ora acontece que quando li a peça "Felizmente Há Luar!" e me apercebi das características da personagem Matilde e principalmente da sua tentativa ao salvar o seu marido lembrei-me imediatamente da letra de uma música de uma banda que oiço bastante: Led Zeppelin. A música chama-se The Wanton Song e a letra é a seguinte:

"Silent woman in the night, you came, Took my seed from my shaking frame.
Same old fire, another flame, And the wheel rolls on.

Silent woman through the flames, you come, From the deep behind the sun
Seems my nightmares, have just begun
Left me barely holding on.

With blazing eyes you see my trembling hand.
When we know the time has come
Lose my senses, lose command
Feel your healing rivers run

Is it every time I fall, That I think this is the one
In the darkness can you hear me call
Another day has just begun.

Silent woman, my face is changed
Some know in ways to come.
Feel my fire needs a brand new flame
And the wheel rolls on.... rolls on."


A parte que me interessou foi:

"Same old fire, another flame, And the wheel rolls on.
Silent woman through the flames, you come,
From the deep behind the sun
Feel my fire needs a brand new flame
And the wheel rolls on.... rolls on."

Tradução:

O mesmo fogo antigo, outra chama, e a roda gira.
Mulher silenciosa que vens das chamas,
Tu vens do profundo atrás do sol
Sente o meu fogo que precisa de uma nova chama
E a roda gira… gira…

Ora quando pensei que iria relacionar a peça com o elemento fogo, achei que fazia todo o sentido utilizar esta frase como título visto que a morte do general deu-se na presença de uma fogueira que Matilde usa como prefácio para o que acontecerá no país. Foi ela a força maior que se viu existir ao longo da peça para libertar o general. Foi ela a mulher "silenciosa" (e aqui ponho enter aspas porque concordo que tenha sido de certa forma silenciosa porque não era ela a personagem principal) e foi ela que veio do profundo atrás do sol (sol esse que aqui, para mim, simboliza a fogueira, ou seja, é essa fogueira a força de Matilde e é aí que ela a vai buscar. A parte de e" a roda gira" interpretei como sendo o prefácio que Matilde anunciou de que algo iria mudar Portugal, principalmente S. Julião da Barra.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Relatório sobre o trabalho individual de Português

Após a sugestão da professora de Português resolvi colocar o meu relatório no blog:

No decorrer deste trabalho não senti grandes dificuldades ao realizá-lo. Estou a gostar imenso de o fazer, principalmente porque tenho imensas coisas de que gosto que se possam relacionar com o trabalho, nomeadamente o título do blog que é inglês e que mais tarde irei explicar o porquê da minha escolha. Das entradas que postei no blog, acho que a que mais gostei de fazer foi a do esquema sobre o significado do fogo na peça Felizmente Há Luar! porque penso que o fiz de modo a que demonstrasse bem aquilo que quis explicar. Como conclusão deste trabalho já tive imensas ideias, uma delas, que penso que seja a que vou seguir, relaciona-se com a obra Cena do Ódio de Almada Negreiros, que contém um excerto que se pode relacionar com o que se passava na altura, nomeadamente com a perseguição do General Gomes Freire. Quanto ao número de entradas mínimo a postar no blog por semana até agora foi respeitado. Gostei também da comparação que fiz de Matilde com o significado da Lua. Espero continuar a gostar do trabalho e que a conclusão flua da maneira que estou a pensar.

Fernando Pessoa (Álvaro de Campos) - Opiário

Gostei deste poema, gostei das ideias que transmitiu sobre a monotonia que era aquela época sem os "prazeres" que as pessoas utilizavam para se refugiarem desse tédio.

"(...)

Um dia faço escândalo cá a bordo,
Só para dar que falar de mim aos mais.
Não posso com a vida, e acho fatais
As iras com que às vezes me debordo.

Levo o dia a fumar, a beber coisas,
Drogas americanas que entontecem,
E eu já tão bêbado sem nada! Dessem
Melhor cérebro aos meus nervos como rosas.

Escrevo estas linhas. Parece impossível
Que mesmo ao ter talento eu mal o sinta!
O facto é que esta vida é uma quinta
Onde se aborrece uma alma sensível.


(...)

Leve o diabo a vida e a gente tê-la!
Nem leio o livro à minha cabeceira.
Enoja-me o Oriente. É uma esteira
Que a gente enrola e deixa de ser bela.

Caio no ópio por força. Lá querer
Que eu leve a limpo uma vida destas
Não se pode exigir. Almas honestas
Com horas pra dormir e pra comer,

Que um raio as parta! E isto afinal é inveja.
Porque estes nervos são a minha morte.
Não haver um navio que me transporte
Para onde eu nada queira que o não veja!

Ora! Eu cansava-me do mesmo modo.
Queria outro ópio mais forte pra ir de ali
Para sonhos que dessem cabo de mim
E pregassem comigo nalgum lodo.


(...)"

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O dia do enforcamento de Gomes Freire

"O dia dezoito é um dia de sol, que promete uma noite esplêndida. Faz [Gomes Freire] enfim a barba, calça-se, veste a sua melhor sobrecasaca, prepara-se para comandar o fogo. Mas apresentam-lhe a alva e anunciam-lhe o garrote: cai num rápido delíquio, de que sai para ouvir e ler a sentença com tranquilidade, dizendo algumas palavras amargas sobre o seu primo D. Miguel Pereira Forjaz. Pede para escrever (é a sua última vontade) a parentes e amigos. Recusam. (...)"




Forte de S. Julião da Barra

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O fogo que na branda cera ardia

"O fogo que na branda cera ardia,
Vendo o rosto gentil que na alma vejo.
Se acendeu de outro fogo do desejo,
Por alcançar a luz que vence o dia.

Como de dois ardores se incendia,
Da grande impaciência fez despejo,
E, remetendo com furor sobejo,
Vos foi beijar na parte onde se via.

Ditosa aquela flama, que se atreve
Apagar seus ardores e tormentos
Na vista do que o mundo tremer deve!

Namoram-se, Senhora, os Elementos
De vós, e queima o fogo aquela nave
Que queima corações e pensamentos."


Luís Vaz de Camões

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

"I'll see you on the dark side of the moon."

Vou ver-te no lado escuro da lua...

Deixo aqui a música "Brain Damage" dos Pink Floyd (uma das minhas bandas favoritas) que se relaciona com o último tema que referi: a lua.

Luar

Tentei relacionar um elemento presente no título da peça (o luar, ou a lua) com o trabalho que estou a desenvolver e cheguei à seguinte conclusão: Com o que já pesquisei sobre o significado do Fogo acho que é apropriado relacionar este elemento com o protagonista da peça: O general, personagem que representa através da sua morte na presença de uma fogueira a purificação e a regeneração (consequências da destruição, da escuridão e da tristeza) mas como já foi referido existe uma força enorme que o defende... a sua mulher, Matilde, ou seja, a lua que está presente durante a morte do general.

Significado da Lua (a negrito estão os critérios que se relacionam com a mulher do general):

A Lua, privada de luz, é apenas
um reflexo do Sol. (o Sol que se pode ver como símbolo do fogo representa o general)
A Lua atravessa diferentes formas e, por isso, simboliza a dependência e o princípio feminino, bem como a periodicidade e a renovação.
A lua simboliza também o tempo que passa, o tempo vivo, de que ela é medida, pelas suas fases sucessivas e regulares.
O mesmo simbolismo da Lua remete-nos para o destino do Homem depois da sua morte. (quando Matilde, afirma que aquela fogueira de S. Julião da Barra ainda havia de "incendiar esta terra!")
A Lua, astro da noite, evoca metaforicamente a beleza e, também, a Luz na imensidão tenebrosa. Mas, não sendo esta luz mais do que um mero reflexo do sol, a Lua é apenas o símbolo do conhecimento por reflexo.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Significado da fogueira

Como fiz anteriormente, tentei explicar o significado do fogo, especialmente da fogueira na peça sobre a qual estou a trabalhar. Apoiei-me em definições e significados de símbolos, porém, agora vou demonstrar o mesmo apoiando-me na obra: Quando é anunciado na peça que o general é preso, um antigo soldado diz: “Para nós, a noite ainda ficou mais escura…", (significado do fogo no tempo presente da época em que decorria a história - escuridão e tristeza) e de seguida, um popular responde: "É por pouco tempo, amigo. Espera pelo clarão das fogueiras…" e Matilde, afirma que aquela fogueira de S. Julião da Barra ainda havia de "incendiar esta terra!" (esperança e liberdade que eram anunciadas e que são os significados do fogo no futuro), o que demonstra que a chama se mantém viva e que a liberdade iria chegar eventualmente, como podemos confirmar no esquema que fiz e na explicação que dei anteriormente.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Rolling Stones - Play with fire

"Mas não brinques comigo, porque estás a brincar com fogo"

Decidi postar um vídeo de uma música que gosto bastante e que se relaciona com o elemento que escolhi para desenvolver este trabalho. Aqui está ele:


domingo, 18 de janeiro de 2009

Esquema

Resolvi fazer um esquema que represente melhor o que tentei explicar na entrada anterior. Aqui está ele:


sábado, 17 de janeiro de 2009

Fogo no Felizmente há luar

Nesta peça o fogo é um elemento central. Não só pelo facto do General Gomes Freire de Andrade ter sido morto na presença de uma fogueira mas também pelo que significa realmente este elemento e pelas características da personagem. Quando decorre a acção do General ser morto o fogo é caracterizado com um elemento destruidor que gera tristeza e escuridão, mas no desenrolar das falas das personagens (pincipalmente as de Matilde, a mulher do General, e as do Sousa Falcão, um inseparável amigo) o fogo passa a ser um elemento purificador e regenerador que transmite a sensação de liberdade e de esperança.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Fogo

O fogo em diversas culturas representa o conhecimento penetrante, a iluminação e a destruição do invólucro. O aspecto destruidor do fogo implica também, evidentemente, um lado negativo e o domínio do fogo é igualmente uma função diabólica. O fogo, na qualidade de elemento que queima e consome, é também símbolo de purificação e de regeneração. Reencontrando-se, assim, o aspecto positivo da destruição.


sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Felizmente há luar

Neste meu trabalho escolhi relacionar o fogo com uma obra que gostei particularmente de ler: Felizmente há luar. Esta peça foi escrita por Luís de Sttau Monteiro, onde o autor retrata a sociedade portuguesa em 1817, época esta comparada aos anos 60, em que a repressão e desigualdade reinavam. A personagem principal, embora nunca tenha “aparecido” durante a peça, foi o General Gomes Freire de Andrade que foi acusado de conspiração contra a monarquia absoluta. No desenrolar da história apercebemo-nos que existem dois lados opostos muito fortes. Uns que tentam salvar o general e outros que o perseguem exaustivamente. No entanto, e mesmo que o número de pessoas que o tentaram perseguir tivesse sido maior, a mulher do general mostra uma força que podia muito bem valer por dezenas de pessoas ao tentar salvar o seu marido embora o seu esforço tenha resultado numa tragédia. Escolhi o fogo porque como conclusão da minha leitura desta peça pude observar que foi um elemento purificador para a sociedade quando o general foi morto na presença de uma fogueira, portanto vou tentar aprofundar mais este elemento na obra Felizmente há luar.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Porquê o fogo?

Este período resolvi alterar o elemento com que vou relacionar a obra que escolhi, mas que ainda não estudámos: Felizmente há Luar. Após a minha leitura das obras que foram e ainda vão ser estudadas ao longo deste ano lectivo, pensei que seria mais adequado relacionar o primeiro trabalho com a água (Lusíadas) e os dois restantes com o fogo sendo este o primeiro trabalho em que vou falar sobre este elemento. Na obra sobre a qual vou fazer este trabalho vi uma clara ligação com o elemento a estudar, o que me permite fazer reflexões sobre o que entendi ao ler esta peça, como se poderá perceber nas próximas entradas que farei neste blog.